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INOVAÇÃO - Mercado de healthtech começa a se consolidar

Publicada em 17 de janeiro de 2022

Teleconsulta, empoderamento de dados do paciente, modelo figital (físico e digital) de atendimento e investimentos em startups de saúde são alguns dos movimentos identificados durante a pandemia de Covid-19.

A previsão para o mercado de healthtech este ano é de consolidação, segundo Luciane Infanti, sócia-líder da EY Parthenon. “O desafio é fortalecer a terapêutica físico-digital, ter escala e democratizar o acesso à saúde”, explica.

Em entrevista, Luciane fala sobre a importância de investir em tecnologia, o papel das startups de saúde e os benefícios aos pacientes. Confira:

 

Quais são as perspectivas para o mercado de healthtech em 2022?

As healthtechs vão se consolidar este ano. Elas foram fundamentais no período da pandemia, com recrutamento muito rápido para os canais digitais, novas formas de monitoramento e uma nova relação com o paciente. Em 2022, as healthtechs têm como desafio consolidar o conceito figital na saúde (atendimentos físico e digital), trazer escala e democratizar o acesso ao cuidado por meio de canais digitais. Tudo isso é possível porque, além de telemedicina, há plataformas de monitoramento, programas de pós-atendimento e de coleta de dados, além da apropriação do indivíduo sobre seu dado de saúde.

 

Como a tecnologia pode ajudar em análises de diagnósticos e exames ou até mesmo desenvolver protocolos automáticos?

Quando você traz esse conceito de democratização em escala, traz uma massa de informações sobre pessoas, doenças, patologias ou sintomas comparáveis. Já havia uma agenda importante para digitalização de resultados de exames, por exemplo. Quando as pessoas começam a se cuidar por meio de canais digitais, não é necessário digitalizar, pois o monitoramento começa em uma plataforma digital e isso faz com que se tenha muito mais informação sobre o mesmo problema. Isso é riquíssimo porque traz soluções personalizadas em escala. Vamos conseguir personalizar atendimentos em escala, o que dá outra dimensão para o que a gente chama de medicina de precisão, uma outra dimensão sobre a agilidade no diagnóstico.

 

As startups em saúde já movimentam em torno de US$ 9 trilhões por ano no mundo. Como está o investimento no Brasil e qual a previsão para o próximo ano?

A busca por investimento em healthtechs por diferentes setores é notória. Empresas de telefonia, educação e aeroespacial, por exemplo, estão investindo em saúde. As healthtechs se posicionam por dois motivos. Primeiro, a saúde virou bem indispensável e não mais o mal necessário. Neste lugar de bem indispensável, saímos de uma escassez limitada a um grupo de provedores e ganhamos a oportunidade de estarmos presentes na vida das pessoas, nem que seja em um pedacinho da jornada dela na questão da saúde. Por isso, há um investimento relevante na agenda de healthtechs porque a saúde, principalmente por conta da pandemia de Covid-19, ganhou esse lugar de bem indispensável na vida das pessoas. É um lugar confiável para perguntar o que eu tenho, saber para onde eu vou, o que preciso e como me mantenho saudável. São perguntas novas na vida de cada indivíduo.

 

Qual é o potencial das startups no mercado de saúde do Brasil?

Elas não entram como substitutas dos provedores e pagadores, mas como integradores dessa jornada. E esse é o grande valor: a integração. A saúde sempre foi vista como um recurso para quando você tem um problema. Você procura um médico e, a partir daí, abre uma pequena jornada na assistência de saúde. Este universo mudou. Isso tudo era desintegrado. Partia de uma ação passiva ou reativa. A saúde era vista como um serviço de eventos, como consulta, conjunto de exames, cirurgia ou terapia. Como você olha a saúde hoje? Como você sai de um evento para uma experiência? Você precisa de um grupo de integradores que conecte essas coisas e é o lugar que as healthtechs estão ocupando. Há ainda um outro universo: o de facilitadores. Há serviços de saúde obrigatórios, como saúde ocupacional e um check-up, mas as pessoas faziam e nunca buscavam os resultados. Em um universo digital, isso se torna muito mais ágil, barato e acessível. Você pode começar a fazer o check-up dentro da sua própria casa e, dependendo do seu comportamento, peso, e sua qualidade de sono, o seu exame pode ser ajustado de acordo com sua necessidade. Você pode fazer parte de um exame demissional ou admissional por telemedicina. Tem questões regulatórias que precisam ser preservadas, mas isso facilita muito a vida das pessoas. Isso faz com que você barateie e qualifique os acessos do indivíduo.

 

Por isso é tão importante investir em tecnologia na área da saúde?

Sem dúvida. E o investimento em tecnologia em saúde também mudou. Antes, investia-se em prontuário eletrônico e bancos de dados. Atualmente, se fala muito em conectividade e interoperabilidade. A tecnologia tem de ser importante, robusta, mas tem de seguir o movimento importante do que aconteceu em banking (Open Finance). Os modelos transacionais revolucionaram quando os bancos integraram plataformas diferentes. Esse é o foco do investimento na saúde: integrar plataformas diferentes.

 

Como o paciente ganha com a terapêutica físico-digital?

Ele ganha comodidade. Onde estiver, com um celular à mão, vai conseguir conversar com um profissional qualificado para entender o eventual problema que ele tem naquele momento. Ganha também a capacidade de ser o dono de seus dados. Hoje é possível ter nossas informações de saúde em um modelo wallet no celular e em aplicativos gratuitos. Ganha ainda a oportunidade do que eu chamo de um novo comportamento de saúde: o autocuidado.

Fonte: Diário do Comércio

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